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Técnica cirúrgica

FUT OU FUE?

A medicina é uma ciência em constante evolução, e a especialidade de transplante capilar não é diferente. Atualmente, a retirada das unidades foliculares mediante micro-cicatrizes pela técnica FUE permite ampliar as situações em que folículos são extraídos, sem deixar uma cicatriz linear. Isso representa um grande avanço na restauração capilar, sem dúvida. Além do couro cabeludo, pelos podem ser removidos da barba ou de outras partes do corpo (conhecido como “body hair transplantation”).

A técnica dita tradicional, hoje denominada FUT (follicular unit transplantation) ainda é uma maneira muito eficaz de fazer a colheita das unidades foliculares. Removendo-se uma tira de pele da área doadora, consegue-se uma grande quantidade de folículos, que serão cuidadosamente separados e armazenados pela equipe de assistentes altamente treinada. No procedimento FUT, os cabelos não são raspados, assim a cicatriz linear, que resulta do fechamento da ferida cirúrgica, fica permanentemente escondida debaixo dos cabelos, tornando-se – na grande maioria das vezes – numa linha fina e imperceptível. Entretanto, é verdade que a qualidade final da cicatriz depende de características do próprio paciente.

A técnica FUE significa Follicular Unit Extraction: as unidades foliculares são extraídas individualmente da área doadora, utilizando-se cilindros (chamados de punch) de menos de 1 mm de diâmetro. Trata-se de um procedimento menos traumático, mas muito mais demorado já que é o próprio cirurgião que deverá remover cada folículo individualmente. Além disso, a cabeça do paciente necessita ser raspada na região doadora, o que pode impedir o paciente de voltar ao seu trabalho antes de obter uma cobertura mínima dos cabelos (aproximadamente 5-10 dias). Deve-se alertar o paciente que esta técnica NÃO É ISENTA DE CICATRIZ, uma vez que cada folículo retirado deixará uma micro-cicatriz, que fica bem camuflada pelos cabelos restantes se muitas UFs não forem removidas. Ao se repetir o procedimento FUE, a área doadora ficará progressivamente mais rarefeita, correndo o risco de sofrer uma depleção (ou esgotamento) revelando falhas cicatriciais impossíveis de serem camufladas.

Existem vantagens e desvantagens para cada abordagem. Veja na tabela abaixo:

TÉCNICA FUT FUE
quantidade de UFs por cirurgia MAIOR MENOR
qualidade das UFs MAIS PROTEGIDAS MAIS FINAS
cicatriz UMA LINHA FINA CENTENAS DE MICRO-CICATRIZES
tempo de cirurgia 4-6 HORAS 6-8 HORAS
raspagem da cabeça NÃO SIM
desconforto pós-op. UM POUCO MAIOR GERALMENTE MENOR
retorno às atividades diários NO DIA SEGUINTE NO DIA SEGUINTE
retorno às atividades esportivas 8-10 DIAS 3-5 DIAS

Na consulta, Dr. Henrique explicará em mais detalhes estes procedimentos cirúrgicos e qual é o mais indicado para o caso do paciente.

A CIRURGIA

Embora seja um só processo, realizado numa única operação, vamos descrever o procedimento cirúrgico em diferentes etapas.

2ª etapa: O dia da cirurgia

Este é um dia especial para o paciente, já que existe uma grande expectativa e todo um investimento (psicológico, financeiro) por trás de sua decisão de submeter-se ao procedimento. Os exames laboratoriais (previamente verificados) e a avaliação clínico-cardiológica (ie. risco cirúrgico) devem ser levados à clínica. É solicitado jejum de pelo menos 6 horas. Deve-se estar usando roupa confortável, com uma camisa de abotoar (para não ter que vestir por sobre a cabeça na hora da alta). O paciente deve vir sempre acompanhado de alguém, que será a pessoa a acompanhá-lo de volta para casa no final do dia.

A equipe de antesia faz uma rápida entrevista no quarto do paciente, vendo exames e risco cirúrgico. O anestesista será o responsável pela sedação durante a cirurgia, e irá explicar tudo que fará no quarto do paciente.

3ª etapa: A anestesia

A cirurgia da calvície é considerada de porte pequeno a médio (ie. causa um trauma mínimo ao paciente, de risco mínimo). Ela é realizada sob anestesia local, e quem administra isso é o próprio cirurgião, usando uma solução de xylocaína com soro. Esta aplicação é feita no local da retirada do fuso, e também onde os folículos serão implantados. Para que haja um maior conforto e segurança, o paciente é sedado pelo médico anestesista. Esta é uma sedação endovenosa: através de uma veia, faz-se uma solução de soro com sedativo (isso NÃO é uma anestesia geral). Esta é a maneira mais segura e controlável de fazer a sedação.

Dr. Henrique acredita que não faz sentido operar o paciente acordado, ouvindo e sentindo tudo que se passa no centro cirúrgico. O “sono” dos sedativos é extremamente natural, e no final da cirurgia o paciente estará acordando normalmente. Não há risco de náuseas ou “ressaca”. Durante a cirurgia, realizada dentro de uma sala de operação, o paciente será monitorado por aparelhos constantemente pelo médico anestesista.

4ª etapa: A operação

TÉCNICA FUT

A cirurgia inicia-se com a retirada de um fuso – ou retalho – de couro cabeludo da região posterior (área doadora). Ali permanecerá uma cicatriz linear, que jamais ficará perceptível (porque sempre estará escondida dentro do couro cabeludo). Fecha-se esta área com alguns pontos, sem nenhum prejuízo à nuca.

À seguir, este segmento de couro cabeludo – contendo milhares de folículos – é entregue à equipe de técnicas, treinada no correto preparo dos chamados enxertos foliculares. São usados microscópios estereoscópicos que permitem uma perfeita visualização dos agrupamentos naturais dos folículos, assim preservando sua viabilidade. Cada enxerto contém de 1 – 4 folículos.

TÉCNICA FUE

Após a raspagem da cabeça do paciente, o paciente é sedado e a área doadora anestesiada. O cirurgião começa então a extração dos folículos com um aparelho mecânico de rotação, na ponta do qual está um cilindro cortante (punch) que varia de 0,85 – 1,00 mm, dependendo da espessura do cabelo do paciente.

COLOCAÇÃO DAS UFs

Uma vez que os enxertos são preparados, o cirurgião irá colocá-los na área de implantação através de uma agulha muito delicada. Cada pequeno enxerto é posicionado dentro de um orifício mínimo, que não deixará qualquer cicatriz. A maior concentração de enxertos é sempre colocada na linha anterior, garantindo uma alta densidade na metade anterior da área de implantação. Atualmente, Dr. Henrique prefere usar um aparelho chamado IMPLANTER, que é muito útil para implantar enxertos retirados pela técnica FUE.

Esta cirurgia é muito dinâmica, e requer um time altamente especializado e bem treinado. Quando indicado, realiza-se um transplante grande (ie. com a colocação de aproximadamente 2.500 enxertos na técnica FUT, ou aproximadamente 2.000 enxertos na técnica FUE).

5ª etapa: A recuperação

Ao final da cirurgia, o paciente estará acordado, já que a equipe de anestesia vai diminuindo a sedação. Não é colocado qualquer tipo de curativo, apenas uma compressa na região posterior da cabeça, que normalmente é mantida até o dia seguinte, protegendo a cicatriz.

O paciente volta para o quarto, onde fará um lanche. Após um descanso de 2 ou 3 horas, estará em plenas condições de voltar para casa. Às vezes, o paciente pode preferir dormir na clinica, pois assim não terá que voltar para casa e já sai de manhã com a cabeça lavada. Caso decida retornar a casa, não é permitido que dirija, e de preferência haverá um parente ou amigo para acompanhá-lo.

O pós-operatório

O paciente retorna à Clínica na manhã seguinte para realizar a primeira assepsia (lavar a cabeça). Na grande maioria das vezes não há dor; o paciente sentirá uma sensibilidade maior na região da cicatriz, ou da região de onde as unidades foram extraídas pela técnica FUE, mas isso é bastante tolerável. É possível que ocorra um edema (ie. inchaço) na testa nos primeiros dias. Por isso, recomenda-se que o paciente se ausente de suas atividades profissionais por um período de quatro a cinco dias.

Os pontos (técnica FUT) são removidos da área doadora após 7 – 10 dias. É importante explicar ao paciente que os implantes perderão o fio de cabelo. Este fenômeno é normal.

Os folículos permanecem dentro do couro cabeludo e o crescimento definitivo será aparente após o 3º mês. Inicialmente os fios são mais finos, e passam a crescer de maneira permanente. O resultado final só será apreciado a partir do 9º mês.

O resultado final será apreciado após um ano da cirurgia.

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